Autoridades portuguesas decretam prisão preventiva a mulher detida em Espanha

As autoridades judiciárias portuguesas decretaram a prisão preventiva de Nélida Guerreiro, mulher que integrava o casal de assaltantes detidos em Espanha no verão e extraditada para Portugal depois do companheiro, divulgou hoje o Ministério Público (MP).

A mulher, de 41 anos, suspeita de ter participado nos crimes de roubo, falsificação e sequestro, foi apresentada ao Juízo de Instrução Criminal de Faro para primeiro interrogatório judicial na sexta-feira, tendo ficado em prisão preventiva, adianta a Procuradoria da Comarca de Faro em nota publicada no seu ‘site’.

Nélida Guerreiro e Sidney Martins, de 42 anos, são suspeitos de, durante o verão, terem assaltado quatro postos de abastecimento de combustível no Algarve, onde abasteciam o carro em que se deslocavam, para de seguida entrarem na loja do posto “e, munidos com uma pistola e uma faca, obrigarem o funcionário a entregar-lhes” o dinheiro da caixa, lê-se na nota.

Numa das situações, o casal, que circulava num automóvel com matrícula falsa e apoderava-se igualmente de tabaco e alimentos, é suspeito de ter trancado as duas funcionárias da loja numa casa de banho, prossegue o comunicado.

A dupla acabou por ser detida na cidade espanhola de Zamora, a 13 de agosto, com base num mandado de detenção europeu emitido pelo Ministério Público de Faro, tendo-lhes sido decretada, na altura, pelas autoridades espanholas, a medida de coação de prisão preventiva.

O homem já tinha sido extraditado e entregue às autoridades portuguesas em 29 de agosto, data em que foi presente ao Juízo de Instrução Criminal de Faro, tendo ficado em prisão preventiva, tal como a mulher.

A titularidade do inquérito pertence ao Diretor do Departamento de Investigação e Ação Penal da comarca de Faro, assessorado pela diretoria do Sul da Polícia Judiciária, conclui a nota.

Os assaltantes, conhecidos como ‘Bonnie & Clyde’ portugueses, são alvo de três inquéritos em Portugal, sendo suspeitos de um triplo homicídio em Bragança e de assaltos à mão armada no Fundão (Castelo Branco) e no Algarve, além dos assaltos que são suspeitos de cometer em Espanha. Os homicídios em Bragança terão ocorrido em 09 de julho e em 20 de julho.

A dupla portuguesa é também suspeita de ter cometido vários outros assaltos em Espanha, nomeadamente em Sevilha, Toledo e Badajoz, usando o mesmo ‘modus operandi’ de intimidação com arma de fogo e uma faca.

Nélida Guerreiro declarou a sua oposição à entrega às autoridades portuguesas, ao abrigo do mandado de detenção e entrega apresentado por Portugal através da Interpol, ao contrário de Sidney Martins, que não contestou a extradição.

Os mandados de detenção emitidos pelo Tribunal de Faro não abrangem as suspeitas de ligação do casal a um triplo homicídio em Bragança - ainda em investigação pelas autoridades portuguesas -, cingindo-se apenas aos crimes ligados aos assaltos em Portugal e Espanha.

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