“No regresso à Cultura” o Teatro de Bragança assume-se como um “escape” à pandemia

O Teatro Municipal de Bragança (TMB) reabre no próximo fim de semana com a expectativa de servir de escape em tempo de restrições e de que a pandemia leve mais gente à principal sala de espetáculos da cidade.

A programação de setembro a dezembro apresenta propostas de música e teatro e algumas estreias nacionais, com todos os fins de semana preenchidos, entre 05 de setembro e 19 de dezembro, e bilhetes entre seis e onze euros com espetáculos gratuitos para a infância e adolescência.

Não é pelos custos associados à bilheteira que os brigantinos não vêm ao teatro”, realçou à Lusa o diretor João Cristiano Cunha, convicto também de que a pandemia covid-19 não será também um obstáculo e até pode servir de incentivo à procura deste espaço cultural.

Para o diretor, “o medo que está instalado e esta instabilidade que estamos a viver pode ser até uma forma de incentivar as pessoas a virem ao teatro”.

Nós precisamos de um escape porque estamos um bocadinho cansados desta rotina e de casa e do confinamento. Apelo às pessoas que podem vir, temos todas as condições de segurança e de higiene”, assegurou à Lusa.

A sala de 400 lugares ficará reduzida a 200, com planos sanitários para garantir segurança “no regresso à Cultura”, que o diretor do TMB entende como “importante também para o equilíbrio mental, para a nossa a saúde mental, para o nosso bem-estar emocional”.

A programação que abre a temporada 2020/2021 promete “companhias de primeira linha a preços bastante reduzidos”, com alguns reagendamento de espetáculos que a crise sanitária cancelou na época interrompida em março.

Os espetáculos arrancam fora de portas, sábado e domingo, com “Música na Paisagem” e quartetos de cordas e pianistas que estarão em diferentes locais da emblemática aldeia de Montesinho, incluindo debaixo de um castanheiro, a tocar Beethoven e Mozart.

É fruir a música e a paisagem, aquilo que nós temos de melhor e, de algum modo, implicarmos as comunidades locais, quem nos visita, e abrindo a porta para o teatro, ir buscar o público lá fora”, explicou à Lusa.

Na sala do TMB estarão em cena, nos quatro meses, espetáculos como “Napoleão ou o complexo de épico”, com a companhia Chapitô, “Fake", de Inês Barahona e Miguel Fragata, produzida com o Teatro Nacional D. Maria II, e o projeto de espetáculo e oficina de formação do Teatro de Garagem com o Museu Nacional de Arte Antiga.

Bragança recebe a estreia nacional da comemoração do centenário da fadista portuguesa com o espetáculo “Amália no Mundo”, pela Tradisom, que integra uma exposição de capas de vinis do mundo inteiro, alguns inéditos, apresentação do livro e o concerto com Custódio Castelo, o único intérprete de guitarra portuguesa, vivo, que acompanhou a Amália.

A programação inclui também novo circo com o espetáculo em corda bamba e arameAsas d`Areia” do Teatro do Mar, sobre os refugiados na Grécia.

Na área da música, está prevista a viagem a um reino maravilhoso, dos Lavoisier, inspirados em Miguel Torga, a despedida de Bragança dos Dead Combo, no âmbito da digressão “Fim”, e atuações de The Gift, da fadista Carminho e de Rodrigo Leão, que fechará a temporada, em dezembro.

Há ainda um recital de ópera com Montserrat Martí Caballé, filha da conhecida soprano, que vai cantar áreas mais conhecidas e reconhecidas de óperas, usadas em múltiplos contextos, incluindo até de anúncios de televisão, e a comemoração dos 250 anos do nascimento de Beethoven, com a Orquestra das Beiras e um concerto comentado.

Outros espetáculos previstos são "Próspero", a partir de “A Tempestade”, de William Shakespeare, e “O Lago dos Caretos”, que se estreou no ano passado e que sobe ao palco em Bragança, quando se comemora um ano da elevação a Património da Humanidade dos Caretos de Podence.

O diretor do teatro municipal sublinhou que a programação teve sempre “como pilar a qualidade dos espetáculos, procurando uma abrangência cada vez maior, no sentido de criar novos públicos e [de os] fidelizar”.

Mas tem também “um reforço do serviço educativo”, pois, para o diretor, “um espaço cultural de excelência deve contemplar um serviço educativo que vá ao encontro de todas as faixas da sociedade, do pré-escolar até à idade maior”.

A agenda tem seis espetáculos de serviço educativo do pré-escolar e primeiro ciclo, um dos quais em estreia nacional, "Os Três Porquinhos".

Devido à imprevisibilidade da pandemia, não será possível adquirir bilhetes para toda a temporada como anteriormente, mas para dois meses, de cada vez, concretamente para setembro/outubro e novembro/dezembro.

 

FOTOGRAFIA: BMF

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