D. José Cordeiro

44. BISPO DA DIOCESE DE BRAGANÇA-MIRANDA

Nasceu em Seles, Angola, em 1967 e em 1975 veio para Parada, Alfândega da Fé. Estudou nos seminários diocesanos de Vinhais, Bragança e Porto.

Foi ordenado Presbítero na Igreja do Seminário de São José, Bragança, em 16/06/1991.

Licenciou-se em Teologia, pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa no Porto.

Entre os anos 1991 e 1998 teve um ativo ministério presbiteral na Diocese de Bragança-Miranda, exercendo diversos cargos e serviços pastorais.

No ano letivo de 1999/2000 foi indicado pelo então Bispo de Bragança-Miranda para obter uma especialização na área da Liturgia, em Roma, tendo concluído a Licenciatura em Liturgia a 16/01/2002 e o Doutoramento a 06/03/2004 no Pontifício Instituto Litúrgico do Pontifício Ateneu de Santo Anselmo.

Foi nomeado Vice-Reitor do Pontifício Colégio Português em Roma no ano de 2001/02 e em 2005/06 passou a Reitor do mesmo Colégio até ao ano de 2011.

De 2008 a 2011 foi comissário deputado na Comissão Especial para o tratamento das causas de dispensa das obrigações do Presbiterado, segundo as normas da Congregação para o Clero.

De 2010 a 2016 foi Consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Durante o período que permaneceu em Roma (1990 a 2011) leccionou várias disciplinas, mormente relacionadas com a sua especialização em Liturgia, na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade de S. Tomás de Aquino (Angelicum) e no Pontifício Instituto Litúrgico, em Roma.

De 2005 a 2011 foi também membro do Conselho de redação da Revista Seminarium da Congregação para a Educação Católica, Vaticano.

É autor de diversas obras, a saber:

Tem um grande número de artigos publicados em jornais e revistas de importante envergadura científica, doutrinal e informativa, tendo mantido com alguns deles uma colaboração mais ou menos regular.

Conta, igualmente, com alguns prefácios e recensões a obras de diversos autores.

Assinala-se a extensa lista de conferências, palestras e acções de formação em diversos pontos de Portugal e de outros países como Itália, França, Angola, Moçambique, Brasil e Timor Leste.

Tal atividade tem tido destinatários diversos que vão desde o público em geral até públicos muito específicos, leigos, presbíteros, religiosos e religiosas e bispos.

Orientou alguns retiros espirituais a presbíteros, religiosos e religiosas e bispos.

A 18/07/2011, foi eleito Bispo de Bragança-Miranda pelo Papa Bento XVI.

A sua Ordenação Episcopal e início do ministério pastoral ocorreu a 02/10/2011 na Catedral de Bragança, tendo escolhido como lema do seu episcopado “Ad docendum Christi mysteria”.

Em 15 de Maio de 2012 foi empossado como académico correspondente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa. A sessão de investidura teve lugar na sede da instituição, em Lisboa, onde o prelado fez uma dissertação sobre o tema “Do Movimento Litúrgico à Reforma Litúrgica em Portugal”.

É Presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade desde 2014.

Membro da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos desde 2016, e Vogal do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), desde 26 de abril de 2017. Em 2018 foi nomeado, pela CEP, delegado de Portugal nos Congressos Eucarísticos internacionais.

FONTE: Diocese de Bragança-Miranda

O MEDO É O MAIOR OBSTÁCULO À ESPERANÇA

Caros Diocesanos

Pax!

 

De repente, tudo mudou! Não temos memória de nada assim! A pandemia do Covid 19 está a mudar tudo rapidamente e até a pôr tudo em causa. Mudam-se as rotinas, mudam-se as vontades, muda-se o estilo e a regra de vida. Afinal acontece a conversão humana, que é feita de mudança, e que por esta oportunidade repentina se acerte a autêntica conversão do coração.

 

As determinações e decisões tomadas pelas autoridades sanitárias e civis reforçam o combate nesta grande luta pela defesa e promoção do singular dom da vida.

 

Agora, a decisão do Presidente da República e do Governo de Portugal em declararem o estado de emergência por razões de calamidade pública no período de 19 de março, solenidade de S. José, a 2 de abril de 2020, quinta-feira anterior ao Domingo de Ramos na Paixão do Senhor.

 

A Diocese de Bragança-Miranda, solidária e próxima de cada pessoa, partilha a preocupação comum diante da emergência de saúde pública, em total colaboração com as autoridades sanitárias e civis para barrar o contágio da epidemia viral, o coronavírus, Covid 19, conforme já manifestamos na nossa comunicação do passado dia 12 de março.

 

 

  1. Coragem e confiança

O medo é o maior obstáculo à Esperança. Com S. Paulo podemos dizer: «Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada?» (Rm 8, 35).

 

Todavia, estes tempos abrem-nos a uma nova cultura do encontro. Se, por um lado, nos distanciamos para proteger a vida, por outro lado, não se distancie o coração, porque «O coração é a catedral do silêncio e é a porta de Deus» (E. Ronchi), lugar da escuta e dos infinitos recomeços.

 

No Ano em que, na nossa amada Diocese, sublinhamos a Eucaristia, dom da caridade e mistério de vida eterna, somos provocados pelo jejum da celebração comunitária do Bem maior da Igreja para evitar o mal maior da pandemia.

 

Pois é, ter fé não significa estar isentos de dúvidas, nem sequer caminhar à luz da visão, nem viver sem dificuldades e provas. Não tenhamos medo das crises de fé e de esperança.

 

A Igreja nasceu de uma crise de esperança. Senão, vejamos: quando celebramos a Eucaristia, fazemos memória daquele momento em que Jesus enfrentou a morte e o abandono, como tornamos presente nos três dias teológico-litúrgicos anuais (Tríduo Pascal, da última ceia até ao tumulo vazio). Os discípulos ficaram sem palavras. E depois, esperavam a glória eminente de Jesus e este não apareceu. Mas é esta memória que faz de nós um povo da esperança na caridade. Estamos juntos. Não tenhamos medo.

 

 

  1. «... livrai-nos de todo o mal»

A nossa ousadia filial ao dizer “Pai-Nosso” manifesta a confiança e a certeza de sermos amados. Na grande novidade de Jesus ao revelar e chamar a Deus, Pai, inspira-nos o desejo e a vontade de nos parecermos com o Pai, tendo um coração humilde e confiante.

 

De facto, a nossa autenticidade de filhos de Deus induz-nos e compromete-nos a «nada fazer, dizer, pensar que quebre a unidade fraterna; tudo fazer, suportar, sofrer para promover a comunhão» (A. M. Cànopi, OSB).

 

 

  1. Bem-hajam! Muito e muito obrigado             

Expressamos a nossa mais profunda gratidão por todos os que agem na caridade e na cidadania responsável: aos Presbíteros, aos Diáconos, às famílias; às Paróquias; às Unidades Pastorais; às Pessoas Consagradas; aos Leigos; aos movimentos e grupos eclesiais; à Cáritas Diocesana; às 5 Fundações canónicas; aos 56 Centros Sociais Paroquiais; às 14 Santas Casas da Misericórdias; a outros Centros Sociais e Instituições; às Confrarias; às Irmandades; às Escolas; aos médicos, aos enfermeiros e a todos os profissionais de saúde.

 

Rezamos por todos e cada um, especialmente pelas Pessoas doentes, pelos mais velhos e todas as pessoas que vivem no sofrimento, na solidão, no isolamento, na prisão, na deficiência, na ignorância, na pobreza, na depressão, no stress, no desemprego e na migração. O Senhor conceda a Sua Luz, Paz e Consolação a todos os nossos irmãos defuntos.

 

Agradecemos pela colaboração recíproca com as instituições autárquicas, civis, académicas, das forças da segurança, da solidariedade social, da comunicação social e por todas as pessoas que buscam o Bem, a Justiça, a Paz e a Verdade na sua vida.

 

É desafiante a coragem e a confiança que Etty Hillesum, uma jovem, holandesa judia que morreu com menos de 30 anos em Auschwitz, deixando no seu diário: «Meu Deus, apoia-me e dá-me força. Porque a luta vai ser difícil. (...) Dentro de mim, há um poço fundíssimo. Lá dentro está Deus. Às vezes consigo lá chegar. Mas o mais frequente é o poço estar cheio de pedra e cascalho e Deus soterrado. Então é preciso desenterrá-lO. (...)E Deus não nos deve explicações pelas coisas sem sentido que nós próprios fazemos; somos nós quem tem de dar explicações. (...) E se Deus não me ajudar mais, nesse caso hei-de eu ajudar Deus».

 

Que ninguém se sinta só e abandonado.

Estamos contigo irmão e irmã!

Deus não nos abandona. Ele está connosco!

 

 

Bragança, 19 de março de 2020, solenidade de S. José, esposo da Virgem Santa Maria.

 

+ José, vosso bispo e servidor do Evangelho da Esperança

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