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Emoções ao rubro na tomada de posse do novo comandante dos Bombeiros de Bragança

A 11 de junho, data em que se celebraram os 132 anos da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Bragança (AHBVB), apesar do aniversário ter sido a 30 de maio, deu-se a passagem de testemunho do anterior comandante, José Fernandes, ao novo comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança (BVB).

No final da receção às entidades oficiais e convidados e após a tomada de posse, a Kapital do NordestE (KNE) teve a oportunidade de entrevistar o recém-empossado comandante que resumiu os dois vetores fundamentais que orientarão o seu “modus operandi”. “Um é a formação, mantendo o socorro no patamar a que estamos habituados, ou seja, um patamar de excelência, e o outro é a sustentabilidade”, começa por garantir Carlos Martins, que diz contar com “órgãos locais, distritais e até mesmo nacionais para que nos possam auxiliar neste que é um período bastante difícil”. Sobre este “período” que carateriza como “monetariamente caricato”, esclarece: “o preço dos combustíveis está a aumentar, o salário mínimo aumentou, o voluntariado está em decréscimo e vocês irão ver precisamente isso na formatura, já que em três anos conseguimos, apenas, de uma turma de 15, promover quatro bombeiros, o que é muito pouco, e isso deve-se à sua resiliência”.

Mas nem tudo são más notícias, no que aos voluntários diz respeito, já que teve início uma nova turma com mais de vinte elementos, que serão “promovidos em dezembro, na festa da padroeira e, no final, teremos, certamente, mais bombeiros do que a turma que terminou”, adianta o entrevistado, ciente da importância de ter os números do seu lado, sendo que, atualmente, dispõe de 96 elementos, 54 dos quais são bombeiros profissionais.

E se o aumento do preço dos combustíveis se reflete, sobretudo, a nível do transporte de doentes, Carlos Martins assegura que, "pelo menos, para já", o aumento que se tem registado “não é uma preocupação". Contudo, se o preço continuar a subir, uma das soluções pode passar pela atualização do preço pago por quilómetro aos bombeiros, que é de 51 cêntimos há já “12 ou 13 anos, quando o preço do combustível era quase metade”, revela o novo comandante, sublinhando que “esse é que é o problema, aumentou o combustível e os preços nunca foram atualizados”. “E havia, inclusive, veículos que não pagavam portagens e passaram a pagar e essa é mais uma despesa para o transporte de doentes”, acrescenta. Já o socorro está garantido, até porque “tem outro tipo de financiamento”, esclarece aquele que durante 15 anos foi conhecido como Segundo Comandante, após ter sido Adjunto de Comando por dois anos e que é, agora, a figura de proa dos Bombeiros Voluntários de Bragança.

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Assoberbados pelas emoções, vários dos intervenientes na cerimónia sucumbiram aos sentimentos, deixando transparecer um lacrimejar de orgulho no "Carlitos" que é, agora e oficialmente, o novo comandante, após 27 anos de "entrega incondicional" aos Bombeiros Voluntários de Bragança

 

Quanto ao verão que mais que se avizinha, pois começa já amanhã, dia 21 de junho, Carlos Martins evidencia que “tudo irá depender das ignições. Se existirem, então teremos grandes incêndios, mas se as conseguirmos reduzir, então, teremos um verão descansado como o ano passado”. Outra das apostas será na vigilância. “Todo o dispositivo, entre bombeiros, sapadores florestais e GNR, está apostado na vigilância e esperamos que esta seja um fator dissuasor para que não haja margem para ignições, sejam elas acidentais ou propositadas”, destaca o novo comandante, de 44 anos, que contou com o apoio inefável da família na cerimónia de tomada de posse.

Outro dos momentos altos da efeméride, para além dos discursos, da formatura, das promoções e condecorações, foi a bênção da nova ambulância de socorro, no valor de 62 mil euros, que foi oferecida, mais uma, por um sócio benemérito que prefere manter o anonimato, para além da exibição dos 16 equipamentos de proteção individual adquiridos pela AHBVB com um custo muito próximo dos 17 mil euros e que serão utilizados pelas equipas de intervenção permanente que “estão no quartel e que fazem frente aos incêndios urbanos industriais e acidentes de viação”, informa o responsável que este ano comemora as 45 primaveras, a 20 de outubro.

E se não contarmos a que está de serviço permanente no Aeródromo, são já seis as ambulâncias que, diariamente, socorrem a comunidade naquelas que são classificadas como emergências pré-hospitalares como, por exemplo, “apanhar pessoas na rua com doenças súbitas, acidentes e atropelamentos”, enumera Carlos Martins que, em 1995, mais que integrar, decidiu incorporar a Corporação, fazendo parte da estrutura de Comando da Cidade Capital de Distrito há já 17 anos.

De referir, ainda, que um novo veículo está a caminho. Isto porque o engenheiro Lelo, depois de ter ofertado, há cerca de dois anos, uma ambulância aos bombeiros brigantinos, voltou a adquirir uma outra que irá ser presentada no feriado nacional de 8 de dezembro, Dia da Imaculada Conceição, aquando da celebração da Padroeira dos BVB, Nossa Senhora da Conceição.

O engenheiro Lelo tem uma premissa. Quando compra , tem de ser topo de gama. Mas como nós já temos seis, neste momento, não é aquilo que nos faz mais falta. E comprar só por comprar, não faz sentido. Então, nós pedimos-lhe e dissemos-lhe que não valia a pena comprar uma ambulância de socorro quando o que precisamos é de uma ambulância de transporte de doentes, que acaba até por ficar mais em conta para quem oferece”, confidencia Carlos Martins, manifestamente grato por todo o suporte que os BVB têm recebido ao longo dos anos por parte de algumas personalidades da sociedade brigantina.

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“Os bombeiros não fazem greve, os bombeiros nunca ficarão inoperacionais, os bombeiros não se escusam a fazer o trabalho que tem de ser feito, os bombeiros hão de estar sempre na linha da frente, quer a combater os incêndios, quer a socorrer, nem que tenhamos que fazer peditórios”, José Fernandes

 

Como não poderia deixar de ser, a KNE entrevistou, também, o comandante cessante dos BVB que, agora, desempenha as funções de presidente da AHBVB.

Eu já conheço o comandante Carlos Martins há 18 anos. É uma pessoa que fez dos Bombeiros de Bragança a sua casa, a sua escola e a sua família. É uma pessoa muito capaz, tecnicamente, muito evoluída, e a pessoa certa, escolhida por unanimidade pela direção, mas não só, eleito pelos seus pares, pelos seus bombeiros e isso é que é importante, ele, naturalmente, é o nosso comandante, é o líder do nosso corpo ativo”, descreve José Fernandes que, no púlpito, aquando do seu discurso, tratou o novo comandante por “Carlitos”, nome pelo qual é mais conhecido entre amigos.

Com um sorriso de orelha a orelha, o seu rosto, de leitura fácil, não fazia por esconder de um quase lotado Pavilhão Multiusos o orgulho em ver o seu pupilo, aquele que foi, durante tantos anos, o seu braço direito, a assumir um comando que já foi o seu, até pelo “brio, profissionalismo e sentido de missão com que Carlos Martins sempre desempenhou as suas tarefas”, elogia o militar de carreira que, em sessão solene, a 13 de janeiro, foi empossado presidente de uma das associações mais antigas do país, criada, ainda, no reinado de D. Carlos I.

Apesar de se tratar de um dia de festa, de aniversário e consagração, José Fernandes não conseguiu colocar de lado, nem que por momentos, “uma preocupação”. “Nós estamos a chegar a um ponto muito crítico, pois, infelizmente, o Estado não nos está a remunerar como devia. As nossas despesas são superiores ao que o Estado nos está a pagar por quilómetro”, contesta, dando como exemplo o caso noticiado, recentemente, pela Comunicação Social em que “uma grávida poderá ter perdido o seu bebé porque no hospital das Caldas da Rainha não havia um médico obstetra para a receber e isso é grave”. 

E apesar da AHBVB ter a situação financeira controlada, o seu presidente assevera que “o povo de Bragança não ficará sem socorro”. "Juro, aqui, solenemente, que o povo de Bragança não vai ficar para trás, não vai morrer por falta de socorro”, reitera. E se o Estado não assumir as suas responsabilidades, José Fernandes afiança que “irá ter com o povo como os bombeiros já foram muitas vezes e o povo há de vir em nosso auxílio e, também, sabemos que o senhor presidente da câmara nos irá apoiar e iremos continuar a socorrer como temos feito até aqui”.

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 “Só pedimos que o Governo atenda às nossas justas reivindicações. É só isso que pedimos”, José Fernandes

 

Presente na cerimónia, em lugar central, esteve o autarca brigantino, que comentou a preocupação demonstrada pelo presidente da AHBVB. “É necessário garantir o socorro, mas não creio que, neste momento, estejamos aqui em Bragança com qualquer problema a esse nível. Independentemente, das fontes de financiamento que possam existir, não deixaremos de ter essa preocupação, quer ao nível do município, quer ao nível de outras entidades que connosco colaboram nesta área, de fazermos aquilo que tem de ser feito para que nada de mal aconteça”, certifica Hernâni Dias, que transmite que esse “tem sido um princípio basilar” dos bombeiros e da autarquia e “que continuará com o empenho que é característico desta corporação a fazer aquilo que tem de ser feito com o grau de exigência e de mestria a que já nos habituou”.

Eu creio que, hoje, é importante é valorizar o trabalho que tem sido feito, a forma como os Bombeiros Voluntários de Bragança atuam no terreno, sempre com uma postura de elevado profissionalismo, de prontidão de socorro e de uma enorme competência na sua área de intervenção e isso vai ter de continuar a acontecer”, reflete o edil brigantino, traçando um paralelismo entre a nova ambulância doada aos BVB e o incremento efetivo da sua “capacidade de resposta”.  

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“Não creio que, neste momento, tenhamos de ter esta preocupação ou, inclusive, de estarmos aqui com algum alarmismo relativamente a esta situação porque não me parece existir”, Hernâni Dias

 

Quanto ao novo comandante, Carlos Martins, o presidente do Município de Bragança assume que a “população pode ficar muito descansada”. Isto porque, testemunha, “é uma pessoa extremamente experiente, conhecedora, dedicada e estou convicto que vai desempenhar um ótimo papel nesta função de comandante porque tem todas as condições, quer pessoais, quer profissionais, para poder desempenhar esse cargo com mestria e eu acredito na pessoa que hoje tomou posse e acredito porque a conheço, não só a pessoa como o seu trabalho e isso deixa-me perfeitamente tranquilo”.

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