Zíngarus: “Porque a música portuguesa merece”

Introdução

 

Com seis anos de existência, Zíngarus é uma banda que, no distrito de Bragança, dispensa apresentações. Uma banda cuja essência e sonoridade se baseiam numa fusão entre um cunho, demarcadamente, rock e a música  popular/tradicional portuguesa.

Imersos em energia, boa disposição e alegria, os concertos dos Zíngarus prometem uma transferência de positividade para o público e cumprem. O poder do rock, aliado à animação do povo num baile popular, não deixam ninguém indiferente, até pela explosão de pura energia em palco, que contagia até os mais reservados.

A distorção da guitarra, amenizada pela criatividade do acordeão e do violino, juntando o pulsar da bateria e do baixo, fazem brilhar um vocalista irrequieto cuja premissa incansável passa pela motivação de fazer florescer no público sensações de bem-estar e prazer, sem nunca esquecer as mensagens plenas de significado, excessivamente fortes, no bom sentido, mas que não deixam de lado um caricaturar da sociedade atual.

 

Constituição do grupo

 

Vocalista:  Ivo Mendes

Guitarrista: Vítor Dias

Baterista: Milton Crisóstomo

Baixista: Arlindo Alfaia

Violinista: Luís Velho

Acordeonista: Rúben Santos (Metralha)

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ENTREVISTA:

 

Kapital do NordestE (KNE) – Como é que surgiu este projeto e quando?

Zíngarus (Z): O projeto Zíngarus surge no ano de 2014 na cidade de Bragança e nasceu da vontade de um grupo de músicos do panorama musical desta cidade em fazer uma sonoridade que juntasse o rock e a música popular/ tradicional. Ivo Mendes, Vítor Dias, Milton Crisóstomo e Arlindo Alfaia são a base da banda, constituída por elementos que já se conheciam por terem partilhado o palco em anteriores projetos. Para acrescentar a tal sonoridade popular/tradicional e diferenciar a banda do restante panorama musical local, decidiu-se incluir no projeto o violino e o acordeão. Luís Velho, que integrava o grupo de música popular Quinteto Reis 84, juntamente com Ivo Mendes, surgiu como uma escolha natural para violinista da banda. Já para o acordeão, a escolha foi mais demorada, dado que houve uma certa dificuldade em encontrar um acordeonista. Mas, após recomendação de alguns músicos, decidimos convidar Rúben Santos, mais conhecido por “Metralha” que, na altura, era o acordeonista da Real Tuna Universitária de Bragança, tendo-se, felizmente, revelado a escolha acertada.

 

KNE – Qual a origem do nome da banda?

Zíngarus: O nome foi sugerido pelo Alfaia e convenceu, de pronto, os restantes elementos. Para além de ser um nome que entra bem no ouvido, o nome “Zingaro” está associado à etnia cigana, comunidade que vive de forma livre, não se importando com as normas sociais, que celebra os rituais de forma entusiástica, modo de vida que, concordando-se ou não, inspira-nos musicalmente, de uma forma que conseguimos transferir a energia para as restantes pessoas.

 

KNE – Como é que definiriam o vosso estilo de música?

Zíngarus: Poderíamos defini-lo como Folk Rock ou um Rock Popular. A verdade é que não somos uma banda rock como, também, não somos uma banda de música popular/pimba ou uma banda de música tradicional. Mas juntamos todos estes géneros e conseguimos uma sonoridade diferenciada…

O grande objetivo da banda é transformar a música popular ou tradicional em música mais enérgica, com um cunho rock.

 

“… neste momento, encontramo-nos numa fase criativa, de elaboração de novas músicas”

 

KNE – Misturais a tradicionalidade com a modernidade. Quais é que são as vossas influências?

Zíngarus: As nossas influências derivam da música popular/tradicional e de bandas portuguesas que, também, já tentaram utilizar este estilo musical reinventando-o. Falamos de bandas como os Sitiados, Ex-Votos, Quinta do Bill, Uxukalhos, Pé na Terra.

 

KNE - Contem-nos um pouco do vosso percurso?

Zíngarus: Os primeiros dois anos da banda foram passados a fazer concertos em bares do distrito de Bragança. Foi um bom período para nós, enquanto banda e enquanto músicos, pois serviu para ganharmos uma grande experiência. A reação do público foi tão positiva que conseguimos concertos com bastante regularidade. Após esse período inicial, começámos a ser solicitados para eventos maiores, organizados por municípios, associações académicas, associações comerciais, sendo, nestes últimos, que a banda, actualmente, se afirma.

Quanto ao nosso reportório, incluímos, desde sempre, músicas de bandas que são referências para os Zíngarus, bem como músicas populares e tradicionais com arranjos musicais muito específicos. Também fomos fazendo algumas músicas originais como o Barnabé e aproveitando outras músicas que o Ivo já tinha feito e se adequavam à banda como a Ti Maria da Assunção. A reação positiva do público aos originais tem-nos motivado a seguir por esse caminho, sendo que, neste momento, encontramo-nos numa fase criativa, de elaboração de novas músicas.

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“… um concerto dos Zíngarus é energia, alegria e boa disposição”

 

KNE – Onde é que já atuastes? E como é que descreveriam um concerto vosso?

Zíngarus: Os bares do distrito de Bragança foram o nosso trampolim. A partir daí, já fizemos concertos em feiras gastronómicas, festivais de juventude, feiras medievais e eventos académicos, entre outros. Atuámos já em quase todo o distrito de Bragança e, também, em algumas localidades do distrito de Vila Real.

Quanto à segunda pergunta, um concerto dos Zíngarus é energia, alegria e boa disposição. O pimba dá lugar ao rock, a gaita de fole à guitarra. Damos ao ambiente de festa popular um registo mais enérgico. A essência do popular está lá e as pessoas gostam disso. Depois, acrescentamos o rock…

 

KNE – Começastes, recentemente, a gravar o vosso primeiro álbum. Falai-nos um pouco desse projeto e quando estará concluído?

Zíngarus: Encontramo-nos numa fase embrionária, dado que apenas gravámos uma música, sendo que o objetivo é gravar, pelo menos, uma dezena. Pretendemos gravar, essencialmente, originais, mas também algumas músicas populares/ tradicionais reinventadas.

Falando em datas, gostaríamos de ter o álbum concluído no final do próximo ano.

 

KNE – Como é que é ser artista em Bragança? No interior norte de Portugal…

Zíngarus: A verdade é que estamos longe de tudo… Longe dos grandes palcos, dos grandes eventos, das pessoas que decidem. Mas penso que quem é bom em Bragança, é bom no resto do país e consegue vingar. Dá mais trabalho? Sim! Mas a música ou entra ou não entra no ouvido e quando entra, a magia acontece. E depois é como uma bola de neve.

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“Queremos conseguir uma identidade Zíngara e ser reconhecidos, não só localmente como, também, a nível nacional”

 

KNE – O surgimento das redes sociais veio dar acesso imediato a todo o tipo de música via internet, em detrimento dos suportes físicos como o cd e o vinil. Na vossa opinião, enquanto artistas, ajuda ou dificulta o trabalho de quem quer singrar no mundo da música?

Zíngarus: As redes sociais democratizaram a promoção de todo o tipo de artes. Por um lado é bom, pois todas as pessoas podem promover o seu trabalho. Por outro, as plataformas de informação são inundadas, dificultando, frequentemente, o acesso do público àquilo que procura em específico. Mas, sem dúvida, que as redes sociais servem para avaliar como as pessoas reagem à nossa música. Por exemplo, uma música com muitos likes, à partida, será uma música que o público gosta.

 

KNE – A pandemia veio adiar os vossos projetos? Em que sentido?

Zíngarus: A pandemia colocou um pause na dinâmica da banda. Os concertos sempre foram o nosso combustível, aquilo que nos dava motivação para ensaiar, experimentar coisas novas, etc. Sem concertos, torna-se difícil ensaiar e criar. No entanto, temos feito esforços nesse sentido e estamos a tentar preparar o período pós-covid, ensaiando músicas novas e tentando gravar as músicas em estúdio.

 

“… uma sonoridade muito nossa e, quando digo nossa, refiro-me a música do povo”

 

KNE – Quais são as vossas ambições, enquanto banda? Para além da gravação do vosso primeiro cd. O que desejais conquistar, enquanto banda?

Zíngarus: Queremos apostar nas nossas músicas originais e em versões muito nossas de músicas populares e tradicionais. Pensamos que a nossa música entra facilmente no ouvido. É uma sonoridade muito nossa e, quando digo nossa, refiro-me a música do povo. Além disso, pretendemos sempre que cada música, além de passar boas vibrações, transfira também uma mensagem que faça refletir as pessoas. Tentamos caricaturar a sociedade em que vivemos de uma forma musical, incluindo nos nossos temas várias personagens. Já temos um “Barnabé” que vive entre quatro mundos, por vezes, difíceis de conciliar, temos uma “Ti Maria” que, por tanto gostar das suas galinhas (pitas) e de as querer proteger, conseguiu precisamente o contrário, temos, ainda, uma “Maria Rita” que, apesar de não ter dinheiro, tem aquilo que faz vingar uma pessoa na vida, atitude! E iremos ter muitas mais!

Queremos conseguir uma identidade “Zíngara” e ser reconhecidos, não só localmente como, também, a nível nacional, afirmando uma sonoridade específica que reúna o melhor de dois mundos: o popular/tradicional e o rock.

Z4

zín·ga·ro

(italiano zíngaro)

adjectivo

1. De cigano ou próprio de cigano; que pertence aos ciganos.

nome masculino

2. Indivíduo pertencente aos ciganos.

"zíngaro", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020

 

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