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Uma concentração motard como há muitos anos não se via em Bragança

A XXIX Concentração Internacional Motard de Bragança prometeu e cumpriu. Apesar de uma sexta mais calma como é já costume, em que o tempo fresco que se fez sentir também não ajudou, a verdade é que o sábado reavivou memórias de quando a concentração motard de Bragança era considerada a segunda melhor do país.

A confirmá-lo estão os números avançados pela organização do evento. Mais de duas mil motas desfilaram no passeio noturno acompanhadas no seu percurso por outros tantos ou mais milhares de pessoas que, ao aplaudirem os motards à sua passagem, decidiram, assim, manifestar o seu apreço, apoio e gratidão a um ritual de há 29 anos que na, Capital de Distrito, é já quase uma tradição.

Outro número proveniente do MotoCruzeiro e que ilustra bem a afluência registada, essencialmente, de sábado, refere-se às três mil pulseiras de acesso ao recinto colocadas à venda que esgotaram ainda o barulho dos motores ecoava na pista de asfalto ao ritmo das manobras insanas dos três stunt riders de serviço. O catalão Narcis Roca e a dupla portuguesa, Pina e Jaque, semearam uma loucura milimetricamente calculada, propagada por curtas, mas intensas doses de adrenalina, que não deixaram ninguém impávido e sereno. De um foguete no pé do espanhol, ao fogo deflagrado propositadamente na pista como base das acrobacias da dupla nacional, houve de tudo muito.

Entre as atuações dos pilotos profissionais que fazem do perigo o seu apelido, decorreu a entrega dos prémios da XI Prova de Arranque de Motorizadas de Fabrico Nacional. Uma competição ganha, novamente, por Carlos Rebelo que, não é, de todo, estranho ao mundo das corridas, sendo, atualmente, uma das promessas transmontanas no motocross nacional.

 

rebelo

 

Outro dos momentos da noite e houve vários, foi a entrega das medalhas aos mais jovens pilotos de sempre presentes na Concentração de Bragança, sendo que, do grupo de cinco, todos competem no Campeonato de Supermoto em Mini-Velocidade nacional e galego, enquanto só dois deles integram, ainda, o campeonato espanhol.

Fiz a proposta ao Chico (presidente do MotoCruzeiro) e ele achou boa ideia, foi uma forma de demonstrar como se trabalha nas escolas espanholas, em particular, na Dsvk Naron, as técnicas de condução, e uma forma, também, de mostrar os miúdos ao público porque em Espanha isto é banal e em Portugal é tudo ainda muito recente”, começa por explicar Carlos João, o responsável por esta iniciativa e pai do piloto de Mini-Velocidade, mais conhecido por Flash Kid ou Rafa 56. “E desengane-se quem pensa que os miúdos e as motas andam pouco”, refere, contando como tudo aconteceu: “conheci-os nas corridas, ficámos amigos e quando os convidei eles aceitaram logo e foram eles, inclusive, que fizeram questão que o Tiago atuasse com eles”.

Para o pai do jovem piloto transmontano, o mais importante é mesmo a amizade e a camaradagem entre as crianças. “Como viste os miúdos são adversários dentro de pista e amigos fora dela o que é muito bonito”, sustenta Carlos João, que aproveita para sublinhar o facto do seu filho Tiago Rafael “nunca” ter treinado com os restantes colegas, não sabendo, por isso, “os exercícios”. “A primeira vez que fez isto foi na sexta-feira”, salienta, visivelmente orgulhoso pela prestação do filho na pista.

 

Rafa

 

Já para o presidente do MotoCruzeiro, esta “novidade”, no que concerne à inclusão das crianças piloto no programa da concentração, será para “manter”. “Esse foi um ponto que valeu pela diferença e, também, pela oportunidade de nós todos percebermos como é que se cresce com a qualidade e com o nível daquelas crianças, de 4, 5 e 6 anos, a pilotarem as motas daquela forma”, resume Francisco Vara.

Após a entrega dos prémios, seguiu-se um momentomuito bonito”, nas palavras do entrevistado, de homenagem a André Bessa, também ele um amante das duas rodas, protagonizado por um grupo de amigos que trouxe até ao centro da pista a sua mota, agora, modificada com algumas imagens do jovem que, recentemente, perdeu a vida num trágico acidente provocado pela queda da aeronave em que seguia com outro piloto, Horácio Sousa. E do mais ruidoso recinto passou-se, durante um minuto exato, ao mais silencioso, num tributo sentido à memória viva dos dois pilotos.

 

Homenagem

 

E dos 8 aos 80, do silêncio absoluto às emoções ao rubro, os stunt riders Pina e Jaque começaram a chamar, aleatoriamente, pessoas da assistência para entrarem a bordo do seu Smart completamente alterado. Um convidado que ninguém esperaria ver dentro de um carro de acrobacias, mas que, para surpresa de muitos, decidiu abraçar este desafio impróprio para cardíacos e sem qualquer hesitação, foi o presidente da Câmara Municipal de Bragança. Questionado pelo speaker, ao sair da viatura, após vários arranques impetuosos, peões repentinos e drifts capazes de arrancar o alcatrão do asfalto, Hernâni Dias, "o destemido", nunca parco em palavras, resumiu, numa só, toda a experiência: “espetacular”.

 

CMB

 

E da pista para o palco, era a vez do striptease concentrar em si todas as atenções, quer masculinas, quer femininas. Seguiu-se o concerto da banda de rock brigantina Jonny`s Grace com êxitos do século passado, mas não tão antigos assim. Recuar no tempo foi, assim, só possível graças à atuação irrepreensível de uma banda cuja interpretação autêntica do vocalista invertebrado de ícones de outras épocas permitiu à festa prolongar-se pela noite adentro.

E se antes da concentração, o prognóstico era reservado com muitos brigantinos a vaticinarem que este era um evento "com os dias contados", no final, os sintomas não eram os de uma doença em fase terminal, mas sim os de um futuro pelo qual se pode ansiar.

O passeio foi excelente, a noite esteve muito boa e o recinto completamente cheio, nós tínhamos três mil entradas que esgotaram e, portanto, acabaram por se venderem algumas entradas, mas já sem as pulseiras”, confirma um orgulhoso presidente do MotoCruzeiro que, em jeito de balanço, resume: “nós queremos sempre o melhor e o melhor é que tudo decorra dentro da normalidade possível, isto é, sem acidentes, e depois que as pessoas venham, participem, e foi precisamente isso que aconteceu, logo, o saldo é muito positivo”.

 

SE

 

E se aquilo que aconteceu durante o fim de semana, sobretudo, sábado, for um prenúncio daquilo que poderá ser a celebração dos trinta anos, então as expetativas só podem ser bem altas. “Vamos já trabalhar na 30ª para termos um programa melhor, mais reforçado, apostando em mais novidades, essencialmente, em bandas, para termos essa qualidade que os 30 anos implicam”, anuncia Francisco Vara, assumindo, à partida, uma responsabilidade acrescida.

No final da entrevista, conduzida pela Kapital do NordestE, o responsável máximo pela organização do evento, considerado, pelos testemunhos recolhidos ao longo da noite como a “melhor concentração dos últimos anos”, aproveita para agradecer “à Câmara Municipal, à Polícia de Segurança Pública, à Junta de Freguesia da Sé, Santa Maria e Meixedo, aos Bombeiros Voluntários de Bragança, sempre muito importantes no decorrer do evento, aos patrocinadores e a todos aqueles que vieram, que participaram e ajudaram de alguma forma ao sucesso da Concentração”.

 

STRIP

 

GALERIA FOTOGRÁFICA DA 30ª CONCENTRAÇÃO MOTARD BREVEMENTE

Concerto

 

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